Perihan Magden
Trad. nómadas queer
Friday 28 July 2006, 17:31 Makka Time, 14:31 GMT

Perihan Magden, umha das novelistas turcas mais prometedoras, uniu-se à longa lista de intelectuais que se enfrentam a causas polas que o Estado considera "escritos ofensivos". A agência de notícias árabe Al Jazeera entrvistou à novelista turca, acosada polo estado por apoiar ao insubmisso gai Mehmet Tarhan. O caso de Mehmet espertou um amplo movimento de solidariedade na sociedade civil turca.
As novelas de Magden “The Messenger Boy Murders”, e “Two Girls”, tiverom umha grande acolhida internacional, mas é o seu trabalho como colunista na revista Yeni Aktuel o que espertou a ira do Exército Turco.
Madgen enfrenta-se à possiblidade de ser condenada a três anos de prisom por "disuadir à gente da realizaçom do serviço militar".
Falando polo telefone desde Itália, onde assiste ao festival no que o director de cinema turco Kutlug Ataman apresenta a adaptçom cinematográfica de Two Girls, Magden descreve a sua situaçom como umha "guerra de nervos" com as autoridades turcas.
No artigo "ofensivo", publicado a finais do ano passado, apoiava a ideia da objecçom de consciência e defendia o caso de Mehmet Tarhan, um moço que em esse momento estava em prisom por rechaçar o serviço militar.
Um tribunal turco citou-na o 27 de julho.
Guerra de nervos
Aljazeera.Net: Eras consciente de que o teu artigo podia ser inflamável no momento de escrevé-lo?
Perihan Magden: O conjunto do artigo tinha a sua lógica. Afirmava que o exército turco é tam rico, tam onipotente, que realmente nom precissamos esses inecessários números de gente no serviço (militar). O período (de conscripçom) é demasiado longo e o número (de conscriptos) demasiado alto.
Também defendia a Mehmed Tarhan, que em esse momento estava na prisom militar de Sivas por ser objector de consciência. El é gai e as autoridades queriam examiná-lo -umha examinaçom médica- como se puderas descobrir se umha pessoa é gai fazendo isso!
Surpreendeu-te a reacçom ao teu artigo?
Sim, porque sou colunista e é o meu trabalho, e a objecçom de consciência faz parte dos direitos humanos, polo tanto pensava que, por descontado, podo escever sobre este tema.
Mas sempre aguardas que algo ocorra, porque muitos escritores forom já denunciados. Já estivem nos julgados demasiado tempo, aguardo que todo vaia bem. Nom quero que eles me quitem tempo para fazer o que quero: escrever.
Isso é o que eles (as autoridades) querem; querem meter-nos em um problema. É um processo longo, mesmo um caso simples em Turquia. É umha sorte de tortura psicológica.
Pretenderá o tribunal disuadir a outros escritores para que nom expressem livremente as suas ideias?
Penso que o que ocorre com os escritores turcos é que, de qualquer maneira, eles mesmo já se aplicam umha alta dose de auto-censura. Nom querem ver-se metidos em problemas, e politicamente nom se implicam. Alguns deles som mui velhos e durante 40 anos sempre estiverom escrevendo sobre o mesmo. Essa é a realidade da maioria dos colunistas.
Mas há um grupinho de escritores (os mais rebeldes) que estamos imersos em problemas constantemente. Por umha parte, foi bom que me escolheram a mim, porque o caso está a ter umha grande repercussom. Os escritores mais conservadores escreverom artigos apoiando-me porque as coisas que se diziam no tribunal eram escandalosas.
Umha manifestaçom-linchamento tivo lugar ali durante duas horas, insultando-me, chamando-me puta. Foi mui desagradável.
Polo tanto as tuas novelas estám baixo o radar das autoridades, agora que estám advertidas
A ficçom nom me causa problemas porque eles (as autoridades) nom tenhem paciência para ler os meus livros. Mas no futuro creio que terei problemas porque estou a ser proscrita e marcada. Nestes momentos estou a escrever umha novela e, para o seu final, tenho preparada umha grande surpressa para o exército!
Tratam de que deserte de concentrar-me na minha novela. E nom quero porque nom quero que eles digam "ela desertou".
A finais de agosto poderei concentrar-me na minha novela.
Es optimista com o veredicto?
Creio firmemente que vou ser absolvida. Absolverám-me. Mas a qüestom é que eles querem exibir-te diante do tribunal, organizar mobilizaçons para linchar-te, para humilhar-te. Querem mostrar que nom podes falar livremente, que nom podes escrever livremente.
É umha guerra de nervos.