Domingo | Dezembro 18, 2005

cartografias do desejo na medina global

 

Nas sexualidades arabo-amazighs fluem múltiplas linhas de fuga, apesar da administraçom do silêncio imposto pola normatividade islámica. Nas ruas, praças e suks  flui a sensualidade. Umha decata-se de que deve aprender de novo a caminhar por elas. A gente move-se de maneira diferente; sem paradas, nem cortes, nem regras pre-fixadas. O enxame caótico de corpos andantes, táxis, motocicletas, carros e bícis conforma um magma desordenado e, ao mesmo tempo, harmonioso.

Nom existe a dicotomia peatom/automóvel, como nom existe a de hetero/homo.

A sensualidade é o nérvio central que percorre as margens constituintes de umha contra-sexualidade arabo-amazigh. Margens constituintes que já percebeu o arabista e tradutor das Mil e Umha Noites, Richard Burton; Jean Genet em Marrocos e na Palestina ou, à sua maneira, Foucault na Tunísia. Margens constituintes que resistem desde a época da yahiliya1, permanentemente recombinadas neste presente globalizado. 

Na denominada Zona sotádica2 é mui doado navegar nas águas do prazer e o tráfico, à margem de categorias dicotómicas. Umha, qual corpo nómada, marca o seu próprio rumo e vai-no mudando em relaçom com os demais, constiuindo, simultaneamente, o fluxo global.

Mouros, maricons, zamels e bujarras: magma em desordem permanente que conforma a inestável Zona Sotádica. Fronteiras sexuais, direcçons, beira-ruas, carris e semáforos som convençons que, simplesmente, tenhem umha presença formal. Nom formam parte nem estam presentes dentro da mente da gente. Umha realiza o seu próprio caminho, descobrindo, ao mesmo tempo, as mil e umha fissuras do império sexual.

Abrindo novos caminhos. Abrindo linhas de fuga para umha possível e desejada yihad queer.

1) Período de caos e anarquia sexual anterior à islamizaçom

2 )Categoria geográfico-sexual estabelecida por Richard Burton a finais do séc XIX para explicar a abundáncia de relaçons pedófilas e homossexuais no norde de África

                                            nómadas queer

Adicado a todas aquelas que navegarom, navegam ou navegarám nas águas dos desejos plurais. Ás que transitam permanentemente na amálgama de identidades que fluem na zona sotádica. Adicado, especialmente, a Alfredo, polas noites compartilhadas naquela casinha de Dar Dabachi e no maravilhoso caleidoscópio de Jemáa El Fna

 

Escrito por nómadas queer em 03:24:27 | Link permanente | Comments (0) |
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