Sister Outsider
...ou a potencialidade brutal do pensamento de Audre Lorde

Nom gosto de falar do ódio. Nom gosto de lembrar a aniquilaçom e o ódio vistos nos olhos de muitas pessoas brancas desde que tivem a faculdade de ver, tam duros que desejava morrer. E esses sentimentos tinham o seu eco nos jornais, nos filmes, nos quadros religiosos, as bandas desenhadas e os programas de rádio de Amos e Andy. Eu carecia das ferramentas necessárias para analisá-los e da linguagem precissa para nomeá-los.
A linha de metro de Harlem. Agarro-me à manga da minha nai, ela vai carregada de bolsas, o peso do Natal. Cheiro húmido das roupas invernais. O bagom pega bandas. A minha nai avista um sítio quase livre, empurra a el o meu pequeno corpo enfundado em roupa para a neve. De um lado tenho um homem que lê o jornal. Do outro lado, umha mulher com chapéu de pele que olha para mim fixamente. Os seus lábios torcem-se ao tempo que me observa, depois baixa a sua mirada, arrastando a minha. A sua mam enfundada em coiro tira da zona onde se tocam os meus pantalons azuis novos e o seu elegante abrigo de pele. Com um movimento brusco, acerca-se o abrigo ao corpo. Miro com atençom. Nom vejo essa coisa horrível que ela ve no assento, entre nós...umha cascuda, provavelmente. Mas contagiou-me o seu espanto. Pola maneira na que me mira, deduço que deve ser algo mui mau, assim que eu também tiro do meu anorak para retirá-lo de ali. Subo a mirada e vejo que a mulher continua a olhar-me fixamente, com as fossas nasais e os olhos mui dilatados. E de repente decato-me de que nom há nengum bicho arrastando-se entre nós; a quem nom quer que toque o seu abrigo é a mim. As peles roçam-me a face quando a mulher se ergue percorrida por um escalafrio (...) Reacciono como qualquer nena nascida e criada em Nova Iorque: botome a um lado para lhe fazer sítio à minha nai. Nom se pronunciou nem umha só palavra. Dá-me medo dizer-lhe qualquer coisa à minha nai porque nom sei o que fiz. Dirijo umha olhada furtiva aos costados dos meus pantalons. Teram algo raro? Está a suceder algo que nom comprendo, mas que nunca esquecerei. os seus olhos. As fossas nasais dilatadas. O ódio.
(Este fragmento forma parte da compilaçom de textos Sister Outsider, da poetisa Audre Lorde)
Audre Lorde (1934-1992), nai de dous filhos, feminista negra e lésbica, foi umha das vozes radicais mais potentes da Norteamerica de finais dos 70. A clarividência das suas análises segue a ter umha vigência inqüestionável.
bicos gosto moito do teu blog (Comentar)
Pois sim. Precissamente há umha ediçom espanhola de Sister Outsider que foi publicada na editorial Horas y Horas em 2003. A nossa amiguinha Rosalia acava de me enviar um email dizendo-me que precissamente está a ler o livro, que pediu para os fundos da biblioteca do Rosalia. Foi traduzido como "La hermana, la extranjera", ao meu modo de ver, de umha maneira bastante desafortunada porque o título perde bastantes matices em relaçom com o original. "Hermana, fuera del orden" ou "Hermana, que estás en los márgenes" seriam traduçons, nom tam literais mas mais acertadas. Colo-che aque umha estupenda crítica à ediçom espanhola realizada por Eduardo Nabal, que apareceu na pág do Javi Sáez www.hartza.com
"La publicación en castellano casi veinte años después de su aparición en inglés de los ensayos de Audre Lorde “La hermana, la extranjera” nos enfrenta al desconcertante hecho de su estremecedora vigencia. El feminismo lésbico de Lorde tal vez pueda ser cuestionado o revisado hoy en algunos de sus presupuestos pero sin duda se encuentra en la génesis misma de lo queer como exploración de la diferencia desde distintos ángulos y reivindicando la toma de la palabra de los que están al margen. No olvidemos que el título original del libro es “Sister, Outsider” que puede traducirse también, como se apunta en el prologo de esta cuidada edición, como “La hermana, la rebelde”, “La hermana, la marginada” o “La hermana, la fugitiva” entre otras muchas acepciones de lo “outsider”, un termino que no esta tan lejos de lo “queer” en su exploración y re-lectura de los márgenes. Lorde indaga en el terreno de la raza, el género y la diferencia erótica para no dar conclusiones tranquilizadoras. La autora reivindica la subjetividad de los marginados o excluidos por diferentes regímenes de opresión en los que se interrelacionan la homofobia, el racismo, el clasismo y el machismo. Lorde nos invita a entrar en “La casa de la diferencia” como línea de fuga y enriquecimiento para los que han abandonado o no están cómodos “La casa del amo”. Se hace eco de las polémicas presentes en los diferentes grupos, criticando el machismo y la homofobia del movimiento negro masculino pero cuestionando también el heterosexismo y el racismo presentes, en ocasiones, en el movimiento feminista blanco y académico. Se adelanta a su tiempo al hacer reflexiones sumamente profundas sobre temas como la maternidad lesbiana, las relaciones entre la política, la economía y la salud de las mujeres y las limitaciones del mundo académico como espacio de reivindicación y denuncia. Entabla un interesante diálogo con otra feminista lesbiana escritora y madre de tomo y lomo como Adrienne Rich y explora sus inseguridades personales y políticas como espacios de recreación y cambio de la identidad. Esperemos que esta traducción de “La hermana, la extranjera” sirva para que comiencen a traducirse otros textos de esta autora injustamente ignorada por el mercado editorial en lengua castellana. Su biomitografia “Zami”, un hermoso testimonio de su infancia, adolescencia y despertar de la conciencia en la juventud, y su obra poética permanecen todavía inéditos. Con las herramientas de la diferencia y el lenguaje de la acción Lorde emprendió a su modo, la tarea de desmontar la casa del amo, indagando en sus pliegues, denunciando su injusticia y desenmascarando su silenciosa violencia."
Eduardo Nabal
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saúdos (Comentar)