Sábado | Dezembro 10, 2005

Elegia das gaivotas

(À mocidade tragada polas ondas do Estreito por sonhar com o fim do tempo dos labirintos)

 

Silenciosos rostos sobre rochas,

Farrapos molhados na negrura

E um mar que se obscurece

Nas névoas,

Sacudindo-se o seu sal.

Afundem-se barcos

Angustiados polos tempos cálcicos.

Já chegou o momento no que nom houvo

Por detrás de ti, Tarif,

Nengum exército listo para conquistas

Só espumas

E barcos perdidos na obscuridade.

Enchem o estreito regatos

Do suor da terra

E Tetuam, à espera do afogado

Fia aljube de vento

E cozinha pedras aos seus filhos.

À beira do inalcançavel

Quebrou a plumagem das gaivotas

Sobre umhas rochas entristecidas

E estremeceu-se o sonho nos seus derradeiros tremores.

Silenciosos rostos sobre rochas,

Farrapos molhados na negrura

E um desolado silêncio de cidades

Um desolado silêncio de cemitérios.

                               Mohamed Maimuni

Mohamed Maimuni (Xauen, 1936) é umha das vozes mais destacáveis da poesia marroquina

Escrito por nómadas queer em 00:20:44 | Link permanente | Comments (0) |
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