Tuesday | August 29, 2006

III festival Queer de Belgrado

 

Belgrado, um dos pontos quentes do movimento queer, acolhe do 12 ao 15 de outubro, o Malfunction Festival, organizado polo Kolectivo Queer de Belgrado. Performances, exposiçons, obradoiros, acçons, festas, filmes, música, jantares e amig@s. 

"Em sérbio nom existe nengumha palavra equivalente a "queer". Nom há maneira de expressar o que queremos dizer além da igualdade LGBT. Para nós queer significa radical, incluinte, conectando todas as luitas e sendo criativos entorno a como vivemos em este mundo. Por todo isto, o nosso novo festival chama-se KVAR, um termo técnico que literalmente significa disfunçom dentro de umha máquina, porque em este mundo de capitalismo, nacionalismo, racismo, militarismo, sexismo e homofobia, queremos autoproclamar-nos a nós proprias como disfunçons da Máquina. Queremos resistir ao conformismo e irmos contra o que é aceitável, para criar formas de vida justas, nom falsa produtividade, guerra ou dinheiro (...)"

Kolectivo Queer de Belgrado:  http://www.queerbeogradeng.stanipanikolektiv.com/

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Thursday | August 24, 2006

marhaba electrónica

O passado 12 de agosto tivo lugar em Amsterdam um streaming para exigir o imediato cesse dos bombardeios sobre o Líbano. Foi umha olhada ao Líbano e a todo o que se está a fazer desde o activismo político, social e cultural. O streaming contou também com a actuaçom em directo de um grupo de rap árabe feito em Israel. A retrasmissom global foi iniciativa de vários activistas de Amsterdam e Beirute. Já estám disponíveis os materiais (entrevistas, vídeos, etc.):

http://beirut.streamtime.org/

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Wednesday | August 23, 2006

Angry Brigade

A princípios dos anos 70 um desconhecido grupo autonomo-situacionista aterrorizou ao establishment británico. Angry Brigade (a Brigada da Cólera) atacava boutiques ou fazia voar umha furgoneta da BBC que ia retransmitir o concurso de Miss Mundo. Mas também atacava ao exército británico ocupante da Irlanda do Norde. Umha das suas acçons mais desconhecidas foi a tentativa de assasinar a Franco. Durante dous anos, o medo socializou-se entre as elites políticas e económicas do Reino Unido. Várias casas, os fogares dos poderosos, forom objecto de atentados com bomba: as do Ministro de Emprego e a do Ministro de Comércio. A do director da Ford, a do Fiscal Geral do Estado ou a casa do comissário chefe de Scotland Yard. Apesar de evitar causar nengum morto nas suas acçons, em 1972, vários activistas receberom sentências exemplarizantes na Old Bailey ante o silêncio clamoroso da prática totalidade da esquerda revolucionária británica. Ai vai um dos seus comunicados:

"Se nom estás ocupad@ nascendo, estás ocupad@ comprando".

Todas as dependentas nas boutiques de pelas som obrigadas a pór-se os mesmos vestidos e a mesma maquilhagem, representando os anos 40. Na moda como em todo, o capitalismo só pode retroceder -nom tém a onde ir- estám mort@s.

O futuro é nosso.

A vida é tam aburrida que nom há nada a fazer aparte de gastar todos os nossos salários numha saia ou numha camisa.

Irmáns e Irmás, quais som os vossos desejos reais?

Estar sentad@ na cafetaria, a olhada distante, baleira, aburrida, beber um café que nom sabe a nada? Ou quizais VOÁ-LA ou PREDENDER-LHE LUME. A única coisa que pode fazer-se com as casas modernas da escravitude -chamadas boutiques- é DESTROÇÁ-LAS. Nom se pode reformar o capitalismo do benefício e a humanidade. Simplesmente dar-lhe canha até que rebente.

Revoluçom

Edward Hopper, Automat, 1927

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Angry_Brigade

http://recollectionbooks.com/siml/library/AngryBrigade/

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corpos antagonistas

A propósito do corpo, e de um devir queer face ao pós-humano, Toni negri e Michael Hardt diziam em Império o seguinte:

"(...) Certamente temos de mudar os nossos corpos e modificarmo-nos de umha maneira muito mais radical que a que imaginam os autores ciberpunks. No nosso mundo contemporâneo, as mutaçons estéticas do corpo, agora habituais, como colocar-se aros em distintas partes do corpo ou tatuar-se, a moda punk e as suas distintas imitaçons, som indícios iniciais de essa transformaçom corporal, mas em última instáncia nom chega nem ao mínimo da mutaçom radical que faz falta. A vontade de estar "contra", em realidade, precissa um corpo completamente incapaz de submeter-se ao domínio. Precissa um corpo que seja incapaz de adaptar-se à vida familiar, à disciplina da fábrica, às regulaçons da vida sexual tradicional, etc. Se um/ha comprova que desbota esses modos "normais" de vida, nom deve desesperar, mas fazer realidade a sua virtude!".
 
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Sunday | August 20, 2006

retóricas (2)

Impressionante. Algo rarinho, rarinho de ver nos mass média. Sky News entrevista ao político británico George Galloway. O banho que receve a apresentadora israelita vai em crescendo. Nom perdades fio.

http://www.youtube.com/watch?v=9Wdwk1dp-uU

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retóricas (1)

Na sua editorial do 6 de júlio, o diário israelita Haaretz acusava ao governo de ter "perdido toda raçom" e a seguir dizia: "O encanto da retórica de segurança, mais umha vez, cautiva o coraçom da opiniom pública, apesar de que esta fórmula, utilizada nos 40 anos que dura a ocupaçom, fracassou totalmente. Nestes momentos, há que dizer e repetir que, antes ou depois, Israel nom tém mais opçom que retirar-se dos territórios e pór fim à ocupaçom. E terminar com a ocupaçom deveria ser o objectivo ao que deveria conduzir toda táctica utilizada na crise actual".

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Saturday | August 19, 2006

Electronic Lebanon video

Há umhas semanas, várias artistas e activistas novaiorquinas juntarom-se em Brooklyn  para realizar este video em colaboraçom com Electronic Lebanon:

http://electronicintifada.net/v2/article5473.shtml

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Thursday | August 17, 2006

Raiva

A foto mostra umha rapariga libanesa alcançada polas bombas

Tirada de http://www.samidoun.org/

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Perihan Magden

Por Kris Evans-Al-jazeera

Trad. nómadas queer

Friday 28 July 2006, 17:31 Makka Time, 14:31 GMT

 

Perihan Magden, umha das novelistas turcas mais prometedoras, uniu-se à longa lista de intelectuais que se enfrentam a causas polas que o Estado considera "escritos ofensivos". A agência de notícias árabe Al Jazeera entrvistou à novelista turca, acosada polo estado por apoiar ao insubmisso gai Mehmet Tarhan. O caso de Mehmet espertou um amplo movimento de solidariedade na sociedade civil turca.

 

As novelas de Magden “The Messenger Boy Murders”, e “Two Girls”, tiverom umha grande acolhida internacional, mas é o seu trabalho como colunista na revista Yeni Aktuel o que espertou a ira do Exército Turco.

Madgen enfrenta-se à possiblidade de ser condenada a três anos de prisom por "disuadir à gente da realizaçom do serviço militar".

Falando polo telefone desde Itália, onde assiste ao festival no que o director de cinema turco Kutlug Ataman apresenta a adaptçom cinematográfica de Two Girls, Magden descreve a sua situaçom como umha "guerra de nervos" com as autoridades turcas.

No artigo "ofensivo", publicado a finais do ano passado, apoiava a ideia da objecçom de consciência e defendia o caso de Mehmet Tarhan, um moço que em esse momento estava em prisom por rechaçar o serviço militar.

Um tribunal turco citou-na o 27 de julho.

 

Guerra de nervos

Aljazeera.Net: Eras consciente de que o teu artigo podia ser inflamável no momento de escrevé-lo?

Perihan Magden: O conjunto do artigo tinha a sua lógica. Afirmava que o exército turco é tam rico, tam onipotente, que realmente nom precissamos esses inecessários números de gente no serviço (militar). O período (de conscripçom) é demasiado longo e o número (de conscriptos) demasiado alto.

Também defendia a Mehmed Tarhan, que em esse momento estava na prisom militar de Sivas por ser objector de consciência. El é gai e as autoridades queriam examiná-lo -umha examinaçom médica- como se puderas descobrir se umha pessoa é gai fazendo isso! 



Surpreendeu-te a reacçom ao teu artigo?

Sim, porque sou colunista e é o meu trabalho, e a objecçom de consciência faz parte dos direitos humanos, polo tanto pensava que, por descontado, podo escever sobre este tema.

Mas sempre aguardas que algo ocorra, porque muitos escritores forom já denunciados. Já estivem nos julgados demasiado tempo, aguardo que todo vaia bem. Nom quero que eles me quitem tempo para fazer o que quero: escrever.

Isso é o que eles (as autoridades) querem; querem meter-nos em um problema. É um processo longo, mesmo um caso simples em Turquia. É umha sorte de tortura psicológica.

Pretenderá o tribunal disuadir a outros escritores para que nom expressem livremente as suas ideias?

Penso que o que ocorre com os escritores turcos é que, de qualquer maneira, eles mesmo já se aplicam umha alta dose de auto-censura. Nom querem ver-se metidos em problemas, e politicamente nom se implicam. Alguns deles som mui velhos e durante 40 anos sempre estiverom escrevendo sobre o mesmo. Essa é a realidade da maioria dos colunistas.

Mas há um grupinho de escritores (os mais rebeldes) que estamos imersos em problemas constantemente. Por umha parte, foi bom que me escolheram a mim, porque o caso  está a ter umha grande repercussom. Os escritores mais conservadores escreverom artigos apoiando-me porque as coisas que se diziam no tribunal eram escandalosas.

Umha manifestaçom-linchamento tivo lugar ali durante duas horas, insultando-me, chamando-me puta. Foi mui desagradável.

Polo tanto as tuas novelas estám baixo o radar das autoridades, agora que estám advertidas

A ficçom nom me causa problemas porque eles (as autoridades) nom tenhem paciência para ler os meus livros. Mas no futuro creio que terei problemas porque estou a ser proscrita e marcada. Nestes momentos estou a escrever umha novela e, para o seu final, tenho preparada umha grande surpressa para o exército!

Tratam de que deserte de concentrar-me na minha novela. E nom quero porque nom quero que eles digam "ela desertou".

A finais de agosto poderei concentrar-me na minha novela.

Es optimista com o veredicto?

Creio firmemente que vou ser absolvida. Absolverám-me. Mas a qüestom é que eles querem exibir-te diante do tribunal, organizar mobilizaçons para linchar-te, para humilhar-te. Querem mostrar que nom podes falar livremente, que nom podes escrever livremente.

É umha guerra de nervos.

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Tuesday | August 15, 2006

entrevista a Luca Casarini

Tirada do excelente web http://rizoma.net/

Embora antiga, esta entrevista com o líder dos Tutte Bianche pode dar uma boa idéia das táticas e ações promovidas por este lendário grupo, agora extinto, transformado como foi nos Disobedienti. Os Tutte Bianche usaram métodos de ativismo defensivo antes inéditos, como enormes proteções corporais e escudos, e faziam suas carreatas ao som de tecno. Com um visual mistura de ficção científica e armadura medieval, eles foram, juntamente com Luther Blissett, a mais completa tradução do ativismo pop mitopoético, que ainda hoje influencia vários grupos, como os britânicos Wombles.

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Impedir o G-8 de Gênova sem quebrar
uma vidraça sequer. Com Armas
medievais, provocações e fantasia.
Para dizer não à globalização.

Se os Tute Bianche(3) fossem uma empresa, Luca Casarini seria seu "homem imagem". Foi ele, que, em 26 de maio, no palácio ducal de Gênova, declarou guerra aos poderosos do mundo. E, sempre ele, algumas semanas depois, tranquilizou a cidade dizendo que seus militantes se comprometiam a não quebrar nenhuma vidraça sequer. Oficialmente é o porta-voz desse grupo, que tem a Autonomia Operária como antepassado, descende diretamente dos centros sociais ocupados, mas que nos últimos anos, coincidindo com a revolta de Seattle, adquiriu uma imagem pós-moderna ao adotar uma nova linguagem e inacreditáveis macacões lunares de gaze branca com escudos de plexiglas e armaduras de espuma.

Por certo, os Tute Bianche são apenas uma minoria do multicolorido Povo de Seattle. Mas, com sua habilidade para administrar a comunicação, converteram-se, ao mesmo tempo, em sua vanguarda de combate e seu símbolo midiático. E Luca Casirini, paduano, 34 anos, diploma de técnico em energia térmica e com a fala colorida da região do Vêneto, é o profeta desse incrível movimento que fascina ao mesmo tempo em que inquieta. Nós o entrevistamos em Pádua, na festa da Rádio Sherwood, emissora, hà muitos anos, do arquipélagos dos centros sociais.

Enrico Pedemonte: Primeiramente ministro de Exterior, Renato Ruggiero, depois Silvio Berlusconi disseram que os objetivos do povo de Seattle são iguais aos do governo. O que está acontecendo?

Luca Casarini: Eles estão com medo. Já entenderam que este movimento está destinado a crescer. O fato de quem em Gotemburgo, na Suécia, houve 25 mil pessoas significa que em Gênova serão 200 mil: só nós levaremos 10 mil, prontos para ações de desobediência civil. E não é apenas uma questão de passeatas. É só olhar como estão se multiplicando, nos supermercados, nas prateleiras reservadas aos alimentos biológicos e para a crise das empresas ligadas aos transgênicos. como o Monsanto. Nossas manifestações acabam nas tevês do mundo inteiro: é como se fossem milhões de cartões-postais chegando às casas das pessoas.

E. P.: Observando os seus últimos movimentos, parece até que vocês dispõem de um departamento de marketing.

L. C.: Não, nada de marketing. Temos alguns especialistas em comunicação. Sabemos o que precisamos fazer para que falem de nós. Quando um jornalista do Giornale telefona e pede implicitamente que eu lhe dê algo para a primeira página, eu respondo: "Em Gênova vamos declarar guerra aos grandes do mundo". E eles realmente colocam na primeira página. Ou criamos a história dos "homens-ratos" que já estão em ação, sempre em Gênova, escavando nos subterrâneos. E eles engolem.

E. P.: É verdade que vocês disseram que iriam lançar bolsas de sangue infectado com Aids?

L. C.: Não, isso é armação dos serviços secretos. Basta verificar o nome dos jornalistas que publicaram esta história pela primeira vez: é gente que, tradicionalmente, mantém relações com este tipo de mundo.

E. P.: Que instrumentos vocês vão usar  em Gênova?

L.C.: Não podemos revelar. Mas serão armas criativas, projetadas para furar a comunicação e também um muro que circunda a zona vermelha. Instrumentos tão absurdos que ficam até engraçados.

E. P.: Vocês gostam de metáforas: Gênova é uma cidade medieval eis de volta o Império ameaçado pelos esfarrapados.

L. C.: Em Gênova criamos uma mensagem muito forte, baseada na metáfora medieval: buscamos inspiração em Brave heart. Queremos dizer que chegamos a uma nova Idade Média, na qual, de um lado, se têm o máximo de potência tecnológica e, de outro, crianças de 6 anos que costuram os tênis da Nike no Terceiro Mundo. As metáforas são um instrumento irresistível. A coisa paradoxal é que nossos adversários caem em todas. Quanto mais a gente fala de forte assediado, mais eles fantasiam a polícia deles de Robocop.

E. P.: Vocês são criticados: dizem que usam demais a linguagem de Hollywood, isto é, a linguagem dos inimigos.

L. C.: Usamos as linguagens vencedoras, aquelas que chegam até as pessoas. Não é por acaso que Hollywood vence. Esta é a sociedade da comunicação. Não podemos ignorar os códigos.

E. P.: Vocês estão brigando com a ala mais violenta do movimento. É também nesse caso a linha divisória é a estratégia de comunicação.

L. C.: A violência não têm nada a ver com isso. Estamos brigando para que a cidade não seja tocada. Se você incendeia uma casa, o proprietário vai ficar com ódio de você e vai pedir que a polícia seja ainda mais dura. O problema é conquistar o consenso dos cidadãos. A discussão violência / não-violência não faz sentido. Nós praticamos a desobediência civil. Queremos impedir o desenrolar do G-8. Queremos penetrar na zona vermelha que circunda o vértice. Mas é preciso discutir as ações com base na mensagem que chega até as pessoas.

E. P.: Qual será o principal slogan em Gênova?

L. C.: Uma idéia foi involuntariamente sugerida por Renzo Piano, que queria construir em Gênova uma imensa esfera de cristal cheia de borboletas: o "borboletódromo". Se ele tivesse realmente feito isso já teríamos a palavra de ordem para a nossa faixa principal: "Liberdade para as borboletas!". Que tipo de mente perversa pode inventar um símbolo como esse do borboletódromo? Seria um objetivo pelo qual valeria a pena arriscar a pele. Mas parece que alguma coisa vazou em uma coletiva de imprensa e o borboletódromo foi barrado.

E. P.: Em Gotemburgo a violência saiu do controle e a polícia atirou. Mau sinal.

L. C.: É. Quatrocentos Tute Bianche foram presos como medida de prevenção e mantidos fechados por quatro dias. É uma velha técnica do fascismo: limpar a área de subversivos antes da passagem do Duce. E depois a polícia atirou naquele rapaz enquanto ele fugia. É o início de uma nova ofensiva, acima de tudo política.

E. P.: O que significa isso?

L. C.: Primeiro o ministro de Exterior alemão, Otto Schilly, disse que era preciso tomar sistemática a prisão preventiva das pessoas perigosas. Depois de Tony Blair, falando de nós, começou a usar a palavra booligan. Blair é muito hábil: impôs o New Labour como uma coisa nova. É o que está tentando fazer conosco é uma opreração muito sofisticada. Quer substituir o termo "Povo de Seattle", que o imaginário coletivo tem uma conotação positiva, pela palavra booligan, profundamente negativa. Por último veio o Berlusconi, que traduziu booligan por teppista (vândalo).

E. P.: O senhor fala de imagem e de comunicação, mas nas passeatas de vocês a violência não é virtual, é pancadaria de verdade.

L. C.: A ilegalidade de massa é fundamental para mudar as coisas, desde os tempos daqueles que assaltavam os fornos. Berlusconi deveria saber que a prática da ilegalidade dá resultados. Se a lei sobre falsificações nos balanços sofrer alterações, isso será devido a alguém que reivindicou a coisa politicamente. Acho que ele entende melhor que ninguém o que está acontecendo.

E. P.: Por que?

L.C.: Porque Berlusconi conhece muito bem o mundo da comunicação: é dele a primeira experiência de eleições vencidas graças a um logotipo e a uma campanha de marketing. Ele costuma dizer: "O Povo de Seattle está fazendo girar pelo mundo uma imagem nossa como imperadores violentos, sitiados pelas multidões dos que estão fora dos palácio". E tem razão. É esta a nossa estratégia para vencer o Império. Aqueles que perguntam por que estaremos dispostos a lutar contra a polícia em Gênova deveriam ir ver como se vive no sul do mundo, onde está a maior parte da população mundial. Um bilhão e meio de pessoas sobrevive, segundo o Banco Mundial, com menos de um dólar por dia.

E. P.: A entrevista para o Espresso acaba aqui. O senhor teria dito coisas diferentes para o Giornale?

L. C.: Eu diria o seguinte: estamos organizando os nossos exércitos para o ataque por mar. temos uma nova fórmula de neoprene para macacões de mergulho que não pode ser detectada pelos radares.

Notas

1. Uma primeira versão desta entrevista foi publicada pela revista Lugar Comum (Rio de Janeiro: Nepcom / ECO - UFRJ, nº. 15, dez. 2001). Tradução de Eliana Aguiar.

2. Um dos porta-vozes dos Centros Sociais do Nordeste Italiano. Esta entrevista foi realizada antes das manifestações de Gênova.

3. Literalmente, "macacões brancos", grupo italiano do Movimento Antiglobalização.

Fonte: COCCO, Giuseppe, e HOPSTEIN, Graciela, eds. As multidões e o império – entre globalização da guerra e universalização dos direitos, Rio de Janeiro, DP&A, 2002, pp. 79-83.

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