20.000 pessoas, entre elas 1500 crianças menores de 6 anos, encontram-se nestes momentos numha catastrófica situaçom atrapadas no campo de refugiados de Burj El Barajneh, ao sul de Beirute. Burj El Barajneh está situado no coraçom da área da cidade de maior influência de Hizbullah, onde os bombardeios som contínuos dia e noite. A gente viu-se surprendida e arrodeada polo fogo e as bombas, e nom tenhem a oportunidade de marchar a outras partes da cidade mais seguras. Hoje mesmo, 20 de julho, Israel lançou 23 toneladas de explossivos na zona, dirigidos contra um búnker onde, supostamente, estava oculto Hasan Nasrala, máximo responsável de Hizbullah. Estes ataques coincidirom com os primeiros bombardeios nos bairros cristáns de Beirute, até o momento a salvo dos ataques. Já ninguém está a salvo.
Há três entradas para o campo de refugiados: umha desde a estrada do aeroporto, outra desde Haret Horek e outra desde o bairro de Burj. Todo o perímetro está a ser bombardeado. A melhor maneira de chegar ao campo é desde a estrada do aeroporto, ainda que é mui perigoso por que os ataques produzem-se intermitentemente sem nengum tipo de aviso.
Nos primeiros dias dos ataques a gente assaltou as tendas e supermercados para abastecer-se de comida, água e refrescos, mas agora os supermercados estám valeiros. Olfat Mahmoud, da Organizaçom Humanitária de Mulheres, entrou no Campo para tratar de organizar ajuda urgente e ver as possibilidades de evacuaçom de milhares de pessoas que estám atrapadas. Para deixar o Campo teriam de pagar muitíssimo dinheiro por conseguir umha praça num automóvil que se arriscara a sacá-los.
Assim descreve Olaft Mahmoud a sua chegada este 18 de júlio: “nom podo realmente descrever o horroroso desta viagem. O meu carro é o único veículo que está a circular polas ruas. Absolutamente todo está em silêncio. Todo destruido. Só hai 4km desde a minha casa ao campo de refugiados. A primeira parte da conduçom pudem fazé-la normalmente, mas os dous últimos quilómetros, forom horríveis. A minha impressom era que os edificios, valeiros, derruidos, danhados, estavam habitados por fantasmas. Ninguém pode entrar na zona, é extremadamente perigoso. Todo está destruido, as estradas, as ruas, os edificios: todo esmagado. Há um cheiro a morte e destruçom em toda a área sul de Beirute. No momento que entrei no Campo unim-me a activistas sociais e membros de várias ONGs para fazer umha evaluaçom das necessidades mais urgentes, assim como para realizar um plano de acçom a meio praço. Nom sabemos por onde começar. As necessidades som tam grandes que nos desbordam por completo. A gente está aterrorizada, o caos é total, nom há electricidade, nom há fuel para os generadores, e precissamos de maneira mui urgente alimentos, e medicamentos para as crianzas e os velhos (…)”.
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paremos esta barbárie!
Hoje 20 de julho, umha multiplicidade de organizaçons civis libanesas convocam umha manifestaçom em Beirute que partirá da UN House e marchará até as oficinas da Uniom Europeia. As convocantes exigem o cesse dos ataques e fam um chamamento à mobilizaçom internacional para exigir o fim dos ataques israelitas ao Líbano