Wednesday, August 23, 2006

Angry Brigade

A princípios dos anos 70 um desconhecido grupo autonomo-situacionista aterrorizou ao establishment británico. Angry Brigade (a Brigada da Cólera) atacava boutiques ou fazia voar umha furgoneta da BBC que ia retransmitir o concurso de Miss Mundo. Mas também atacava ao exército británico ocupante da Irlanda do Norde. Umha das suas acçons mais desconhecidas foi a tentativa de assasinar a Franco. Durante dous anos, o medo socializou-se entre as elites políticas e económicas do Reino Unido. Várias casas, os fogares dos poderosos, forom objecto de atentados com bomba: as do Ministro de Emprego e a do Ministro de Comércio. A do director da Ford, a do Fiscal Geral do Estado ou a casa do comissário chefe de Scotland Yard. Apesar de evitar causar nengum morto nas suas acçons, em 1972, vários activistas receberom sentências exemplarizantes na Old Bailey ante o silêncio clamoroso da prática totalidade da esquerda revolucionária británica. Ai vai um dos seus comunicados:

“Se nom estás ocupad@ nascendo, estás ocupad@ comprando”.

Todas as dependentas nas boutiques de pelas som obrigadas a pór-se os mesmos vestidos e a mesma maquilhagem, representando os anos 40. Na moda como em todo, o capitalismo só pode retroceder -nom tém a onde ir- estám mort@s.

O futuro é nosso.

A vida é tam aburrida que nom há nada a fazer aparte de gastar todos os nossos salários numha saia ou numha camisa.

Irmáns e Irmás, quais som os vossos desejos reais?

Estar sentad@ na cafetaria, a olhada distante, baleira, aburrida, beber um café que nom sabe a nada? Ou quizais VOÁ-LA ou PREDENDER-LHE LUME. A única coisa que pode fazer-se com as casas modernas da escravitude -chamadas boutiques- é DESTROÇÁ-LAS. Nom se pode reformar o capitalismo do benefício e a humanidade. Simplesmente dar-lhe canha até que rebente.

Revoluçom

Edward Hopper, Automat, 1927

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Angry_Brigade

http://recollectionbooks.com/siml/library/AngryBrigade/

Posted by nómadas queer in 18:41:49 | Permalink | No Comments »

corpos antagonistas

A propósito do corpo, e de um devir queer face ao pós-humano, Toni negri e Michael Hardt diziam em Império o seguinte:

“(…) Certamente temos de mudar os nossos corpos e modificarmo-nos de umha maneira muito mais radical que a que imaginam os autores ciberpunks. No nosso mundo contemporâneo, as mutaçons estéticas do corpo, agora habituais, como colocar-se aros em distintas partes do corpo ou tatuar-se, a moda punk e as suas distintas imitaçons, som indícios iniciais de essa transformaçom corporal, mas em última instáncia nom chega nem ao mínimo da mutaçom radical que faz falta. A vontade de estar “contra”, em realidade, precissa um corpo completamente incapaz de submeter-se ao domínio. Precissa um corpo que seja incapaz de adaptar-se à vida familiar, à disciplina da fábrica, às regulaçons da vida sexual tradicional, etc. Se um/ha comprova que desbota esses modos “normais” de vida, nom deve desesperar, mas fazer realidade a sua virtude!”.
 
Posted by nómadas queer in 15:07:08 | Permalink | No Comments »