Thursday | December 22, 2005

que passou com Diego?

 O moço corunhês de 22 anos Diego Vinha Castro morria, em circunstáncias ainda nom aclaradas, no quartel da Guarda Civil de Arteixo em setembro de 2004. Segundo recolhe o portal do organismo antirepressivo Ceivar www.ceivar.org, vem de convocar-se pola Comissom Denúncia da Galiza umha concentraçom o 28 de dezembro às 12'00 da manhá, diante dos novos julgados da Corunha (r/ Monforte) para exigir o esclarecimento desta morte e a depuraçom de responsabilidades pertinentes.

 A Comissom Denúncia da Galiza, que luita contra os abusos e polos direitos das pessoas detidas em centros policiais e penitenciários, denunciou a dessapariçom de umha prova policial clave para o esclarecimento do caso. A família de Diego leva mais de um ano exigindo justiça, depois de que apresentaram umha denúncia nos julgados corunheses pola morte do seu filho.

Lembra, este 28 de dezembro, às 12 da manhá, TODAS AOS JULGADOS!

    Difundide esta nova polas vossas webs e blogues, por favor. O "estado de direito" que dim defender nom parece existir em determinadas realidades. Basta de conivências assasinas. Basta de ocultar informaçom. Basta de abusos policiais. Basta de mortes em comissarias e prisons. Basta.



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Monday | December 19, 2005

desmontando a nossa verdade

Umha posiçom vital contrária à sexualidade passa por um projecto que tenha como objectivo clave o de pór fim a todo tipo de controlo sobre o corpo. Nom se trata tanto de reivindicar os direitos de determinadas minorias dentro da maioria-normal, como de qüestionar toda a ideologia da sexualidade, superando as suas rígiadas categorizaçons.

A sexualidade é um artifício social construido e unificado frente à variada e múltipla gama potencial de sensaçons e prazeres. Queer Nation dizia que cada umha de nós somos um mundo infinito de possibilidades.  Nom se trata já de luitar polo fim da heterossexualidade ou da homossexualidade, mas de pór fim à própria ideologia sexual.

Desarticular estruturas e pór em prática resistências ante uns saberes e uns poderes, que estam dentro e fora de nós, passa também polo exerciço de desmontar-nos como sujeitos e como consciência, de desactivar a nossa verdade. E isto implica criar novas subjectividades. Implica inventar formas diferentes de viver e sentir, enfrentadas ao tipo de individualidade que se nos vem imponhendo sistematicamente.

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Sunday | December 18, 2005

cartografias do desejo na medina global

 

Nas sexualidades arabo-amazighs fluem múltiplas linhas de fuga, apesar da administraçom do silêncio imposto pola normatividade islámica. Nas ruas, praças e suks  flui a sensualidade. Umha decata-se de que deve aprender de novo a caminhar por elas. A gente move-se de maneira diferente; sem paradas, nem cortes, nem regras pre-fixadas. O enxame caótico de corpos andantes, táxis, motocicletas, carros e bícis conforma um magma desordenado e, ao mesmo tempo, harmonioso.

Nom existe a dicotomia peatom/automóvel, como nom existe a de hetero/homo.

A sensualidade é o nérvio central que percorre as margens constituintes de umha contra-sexualidade arabo-amazigh. Margens constituintes que já percebeu o arabista e tradutor das Mil e Umha Noites, Richard Burton; Jean Genet em Marrocos e na Palestina ou, à sua maneira, Foucault na Tunísia. Margens constituintes que resistem desde a época da yahiliya1, permanentemente recombinadas neste presente globalizado. 

Na denominada Zona sotádica2 é mui doado navegar nas águas do prazer e o tráfico, à margem de categorias dicotómicas. Umha, qual corpo nómada, marca o seu próprio rumo e vai-no mudando em relaçom com os demais, constiuindo, simultaneamente, o fluxo global.

Mouros, maricons, zamels e bujarras: magma em desordem permanente que conforma a inestável Zona Sotádica. Fronteiras sexuais, direcçons, beira-ruas, carris e semáforos som convençons que, simplesmente, tenhem umha presença formal. Nom formam parte nem estam presentes dentro da mente da gente. Umha realiza o seu próprio caminho, descobrindo, ao mesmo tempo, as mil e umha fissuras do império sexual.

Abrindo novos caminhos. Abrindo linhas de fuga para umha possível e desejada yihad queer.

1) Período de caos e anarquia sexual anterior à islamizaçom

2 )Categoria geográfico-sexual estabelecida por Richard Burton a finais do séc XIX para explicar a abundáncia de relaçons pedófilas e homossexuais no norde de África

                                            nómadas queer

Adicado a todas aquelas que navegarom, navegam ou navegarám nas águas dos desejos plurais. Ás que transitam permanentemente na amálgama de identidades que fluem na zona sotádica. Adicado, especialmente, a Alfredo, polas noites compartilhadas naquela casinha de Dar Dabachi e no maravilhoso caleidoscópio de Jemáa El Fna

 

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Wednesday | December 14, 2005

Chainworkers...ou a irrupçom do precariado

As convocatórias do 1º de Maio realizadas polos sindicatos cada ano tenhem menos assistência. E esta, em boa medida, limita-se a um funcionariado acomodado e às gentes que conformam os próprios aparatos sindicais. Frente a este mundo sindical em descomposiçom, um novo fenómeno está a surgir em toda Europa: as manifestaçons de precárias. Se o ano passado já forom um éxito em muitas cidades europeias, este próximo ano o Euromayday – a convocatória do precariado europeu- parece que vai caminho de converter-se num “fenómeno massivo”. Jovens, imigrantes, desempregadas, teleoperadoras, trabalhadoras a tempo parcial, desreguladas, trabalhadoras do sexo... conformam este magma humano altamente qualificado, mas  com umha perspectiva vital conformada por umha palavra determinante: PRECARIEDADE. Precariedade que moldea todos os aspectos vitais.  A precariedade da vida, pois,  já e algo consubstancial ao próprio sistema, ao qual nom é alheia a realidade galega. Adjunto esta interessante entrevista ao colectivo milanês Chainworkers, um acercamento às novas radicalidades e aos novos movimentos.

Entrevista a Chainworkers 

                                         por Mª Cecilia Fernández (1)
                

            Da precariedade laboral à precariedade social
                                  (traduçom das nómadas queer)


O movimento obreiro decimonónico organizava-se entorno à fábrica através do sindicato, mas paralelamente construia “sociedades de resistência”, espaços de agregaçom social e apoio mútuo. A produçom capitalista era entendida nom só como um problema económico, mas, ao mesmo tempo social. A luita contra o capitalismo significava umha luita contra as formas de vida mercantis, mais alá da reivindicaçom sindical e os direitos laborais.
Actualmente, o processo de valorizaçom capitalista incorporou como força de trabalho as capacidades cognitivas, comunicativas e afectivas do humano. Umhas das dimensons mais dinámicas da produçom social é um tipo de força de trabalho imaterial. Operadores de informática, desenhadores de páginas web, publicistas, artistas, comunicadores sociais, som parte da actual composiçom social do trabalho. As novas formas de trabalho, no marco da produçom pós-fordista, pusserom em discussom quais podem ser as formas de organizaçom social que podem fazer frente à situaçom de flexibilidade, mobilidade e precariedade laboral, mas também às formas de vida que produzem as relaçons sociais capitalistas.
Na Itália, o colectivo milanês CHAINWORKERS leva anos a trabalhar sobre estes aspectos da precariedade laboral e social. Chainworkers começou dirigindo-se aos empregados das cadeias comerciais, o que significou, por umha banda, um acercamento à figura precária emblemática dos anos noventa: a empregada estilo McDonald’s, sem nengum direito nem representaçom sindical, que nom se percebe a sim própria como trabalhadora num sentido clássico; mas também, por outro lado, o colectivo abordava estratêgias de comunicaçom inovadoras com o objectivo nom só de dar informaçom sobre os direitos laborais em situaçom precária, mas também tentar criar formas de agregaçom e conflito social mais alá da sindicaçom.


Mª Cecilia Fernández (MCF): Que análises fazedes do vosso primeiro percorrido?

Frénchi (F): Ao princípio, no interior do movimento toda qüestom do trabalho vinha expressada por retóricas que denotavam impotência, mas nom capacidade de intervençom (“Stop ao precariado”, etc.). No nosso caso umha das características iniciais foi o ódio às cadeias de negócios, nom como lugar de consumo, mas como instituiçons.
Sem embargo éramos mui inocentes, porque pensávamos que a condiçom neoescravista das trabalhadoras das cadeias comerciais ia ser “nom imitável”, e que se estavam a criar zonas de marginalidade mui amplas entendidas como umha certa reproduçom do mercado fordista. Mas estavamos errados: todo o mundo do trabalho tendia a esta condiçom neoescravista. A precariedade, como conceito, surge em 2002, ao cair na conta de que nom é um novo subproletariado o que estava a nascer, nom era só um mecanismo laboral o que estava em jogo, mas umha nova relaçom social mais complexa entre vida e trabalho.

 MCF: Como definides, entom, precariedade social?

F: É um mecanismo de controlo, divisom do trabalho, repartiçom de recursos humanos e seleiçom que gera benefícios e plusvalor para as empresas, que muta e modifica a sua própria conformaçom. Esta passagem da precariedade laboral à precariedade social pom entre interrogantes a nossa capacidade de intervençom, e também questiona reivindicaçons que contam com um passado mui forte: por exemplo, as do movimento autónomo italiano dos setenta, com o seu rechaço ao trabalho e a reapropriaçom do tempo; também o direito a umha vida digna através de umha série de direitos civis e sociais historicamente conquistados.

 MCF: Que significa para vós criar comunidade?

F: Criar relaçons solidárias conscientes com um forte vínculo relacional, capacidade comunicaçom entre todos os sujeitos que estam nesta comunidade. Capacidade de gerar umha produçom autónoma mui cooperativa, mui horizontal ainda assumindo a divisom de competências, mui ligada à capacidade inegável que umha reconheçe nos demais.
Comunidade de indivíduos solidária e de amigas, mas sobretodo umha comunidade no momento no que logra produzir e cooperar e dar-se sentido a sim própria.

 MCF: Quais som os planos de intervençom desta comunidade?

F: Som muitos. Um primeiro plano é a autoformaçom colectiva. Estar numha comunidade é umha situaçom que já, em sim mesma,  defende-te. Entom, há um aspeito social, um aspeito de comunidade, um aspeito de comunicaçom, um aspeito lúdico, e também um aspeito de autorédito. Todo isto inclui vários factores: comunidade, socializaçom, formaçom, intervençom política, relaçons preferenciais com alguns grupos, quer dizer umha consciência forte do território e dos mecanismos que regulam este território. Esta é a comunidade que estamos a criar.

 MCF: Desde a vossa experiência, como tomou corpo essa ideia de produçom de comunidade e que significa na prática o conceito de autocrédito?

Bombo (B): A minha formaçom profissional nasceu num Centro Social, o Depósito Bulk em Milano. Ali logrei algo que nem a universidade nem  um posto de trabalho poderiam ter-me dado. Seguindo a filosofia Do It Yourself (faz-no tu mesma) dos centros sociais, fizem a formaçom profissional que actualmente aplico aos meus trabalhos: o discurso do free software (sistemas informáticos abertos), a ideia de compartir conhecimentos, permitirom-me nom só acometer umha reivindicaçom cultural, mas também seguir a trabalhar no seitor da informática com o objectivo nom de produzir melhor e ganhar mais, mas de maneira alternativa às propostas do mundo comercial da informática.
Mais tarde, começamos a pensar o Centro Social la Pérgola como um possível lugar para construirmos infraestruturas úteis para o nosso trabalho, assim como para criarmos espaços de intervençom na cidade: desde ferramentas e espaço telemático até um lugar de alojamento nocturno que fora mui acessível frente à oferta em Milano, e daqui nasce a hospedagem autogestionada. Abrir umha hospedagem meteu-nos num projecto que nom ia funcionar sobre a base do voluntariado, e que solucionamos criando postos de trabalho que nom seguem as regras tradicionais, mas que consideramos um tipo de serviço social.

 MCF: Vós começastes em 2001 manifestando-vos o 1 de Maio, mas resignificando-o como o dia da precariedade. Qual é o objectivo e como se expressa esta intervençom comunicativa?

F: Uns anos antes, para os nossos governantes, falar de precariedade estava ao límite do terrorismo. A Mayday serviu como acto comunicativo para desenvolver umha nova consciência. Com o Sam Precário, por exemplo, fazemos subvertising (técnica de desvio e reapropriaçom da própria linguagem da publicidade para gerar um efeito de sentido oposto ou diferente) sobre um tezido social que é mui católico. Ainda que sejamos laicos, na Itália há um passado popular ultra católico. O santo foi tomado da cultura popular para insertá-lo numha situaçom nom religiosa. E cada icono que está sob a imagem de Sam Precário indica os cinco asses da nom precariedade: devemos ter dinheiro, morada, relaçons afectivas e direito à comunicaçom e ao transporte.

 MCF: Qual é a inserçom da figura do precário no discurso sindical?

F: Nom o tem, porque a precariedade é extorssom, chantagem, e dificilmente entendível através das formas sindicais clássicas. Falando da renovaçom nas formas de luita, cremos que isso implica renovaçom nas instituiçons de luita, quer dizer, do sindicalismo, a arte sindical e as acçons sindicais. Actualmente estamos a construir os “pontos de Sam Precário”, que se coordenam numha rede que chamamos biosindical.
A conceiçom de biosindicato parte da seguinte premissa: se a precariedade é social e invade toda a nossa vida, é óbvio que a nossa acçom sindical deve partir de cada um dos pontos em que se desnvolve a nossa vida, internos e externos ao lugar de trabalho. Os pontos de Sam precário seram lugares simultaneamente de serviços legais, autoformaçom, comunidade solidária e defessa. Seram todo o que saibamos ir construindo para que as nossas acçons de conflito sejam incissivas, danhem à empressa e à sua imagem. Seram a tentativa de organizar umha defessa, um contra-ataque. Ao final, o indivíduo é precário porque nom tem acesso sequer à informaçom que deveria sobre as condiçons do seu próprio contrato. E, sobretodo, está ilhado em relaçom aos outros no seu lugar de trabalho. Precissamos romper este ilhamento, criar comunidade.

 MCF: Que pensades da luita no plano dos direitos laborais?

F: Estamos convencidas de que a situaçom actual nom pode ser modificada dentro do próprio discurso político-judicial. A relaçom de precariedade laboral supera a relaçom legal-laboral e é directamente exploraçom, força e potência da empressa sobre a vida de cada umha. Se chegaram a modificar-se as leis laborais, seria como sempre foi: como resultado da capacidade de criar conflito e, sobretodo, de criar conflito potente, forte, inteligente. Às leis que se concretam chamamo-las amortizadoras. reconhecemos que 200 euros mais ou menos ao mês mudam a situaçom. Agora bem, se esse dinheiro é o motivo para que nom construas umha estratêgia política que vaia mais alá dos 200 euros, entras numha monetarizaçom dos direitos. Umha estratêgia política inteligente deve perseguir aumento salarial, mas sem perder a perspectiva de que o problema da precariedade é quando es telefonada a meia noite para dizer-te “manhá tes que trabalhar” e tu já tinhas preparada a viagem a Lugano para ir ver à tua família.

 

 (1) Entrevista publicada em Proyecto 19 e 20, Buenos Aires, nº12, dezembro de 2004, e Diagonal, Madrid, nº3, março-abril de 2005.

...algumhas ligaçons

Chainworkers determinou o início dos movimentos europeios contra a precariedade, com úteis comunicativos como a sua web http://www.chainworkers.org (aberta em 1999), o livro Laborare nelle cattedrali del consumo (DeriveApprodi, Milano 2001 –do qual há umha versom espanhola publicada em Brumaria nº3, 2004; acessível em
http://www.chainworkers.org/chainw/libro_cw.htm) e a celebraçom em milano do MayDay, desde 2001 o Primeiro de Maio precário (actualmente estendido como rede EuroMayDay em cidades de todo o continente: http://www.euromayday.org).

...aspecto do MayDay 05 em Barcelona:

...Helsinki:

...Hamburgo:

...para quando um MayDay galego?

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Tuesday | December 13, 2005

alucinante relato do que passou este fim-de-semana em Boiro

Os homens de harrison em acçom:

Olá noctámbulas e demais espécies. Colo aqui um email que envia um colegui contando o que passou este sábado em Boiro. Nom, nom; nom é umha péli de acçom ianqui...estas coisas passam...

 " Amig+s, compañeir+s de vicisitudes, de cama e de barraca, de borracheira e de cafés, sentimentais... soci+s

  Este último sábado, como calquera outro, saín en Boiro cos amiguetes a insuflarme Gin&Tonicse pasou algo que xamais vira antes. De feito xa fóramos avisados. Nos prolegómenos da noite unha amiga achegouse ata onde estabamos sentados e díxonos que a garda viril estaba parando un coche detrás de outro á entrada da zona de marcha. O problema é que un amigo seu parara a uns que facían dedo e estes, ó ver ós picoletos, deixaron os porros dentro do coche. A garda viril estaba buscando expresamente por drogas. A performance foi brutal, coas botas ben axustadas e anudadas cos pantalóns por dentro delas, xerseis de lana e pasamontañas, ademais dunhas boas lanternas. Atoparon os porros e se non chega a ser porque ó cabo cantou un dos que fixera dedo... ó dono do coche caeríaselle o pelo. Cando chegou o resto da miña pandilla, confirmaron a performance porque incluso pararon ó taxi no que viñan.

  Pois ben... ben tarde (ou ben cedo) sobre as 7 da mañá ou incluso máis tarde estabamos no único after-hours aberto. E de súpeto entraron sobre uns 12 e 15 picoletos, arramblando coas portas batibles como se foran cowboys. Cruzaron toda a pista (o clube estaba ateigadísimo) empuxando á peña ata que chegaron á cabina do pincha. Este apagou a música e encendeu tódals luces. Despois da mueca draculiana de pavor ante a luz brillante quedamos flipados porque aínda con esas luces encenderon as lanternas que elevaron co brazo por riba das súas cabezas para así apuntar cara abixo, un plano contrapicado de luz para buscar drogas!!! Flipante!!! Apuntaban ás mans da peña ós que agarraban e movían para facer máis sinxela a busca. Foi algo demencial!!! Eu estaba nun lateral do clube apretándolle a unha nena e cando virei a cabeza ó ver a esa marea (ou morea de merda) verde pola porta puden presencia-lo todo. Ver a 15 homes de verde fozando entre a xente, uliscando, metendo os fuciños con esa axitación nerviosa da DEA ou dos SWAT nas pelis gringas... bueno, bueno, bueno.

  Así que os meus colegas e eu empezamos a berrar improperios. O resto da peña continuou virando cara eles de tal xeito que houbo un movimento colectivo e acompasado para poñerse cara a cara coa garda viril e poder soltar sapos e serpes pola boca. Nun momento a grandísima maioría dese 15 axentes estaban concentrados no medio da pista como futbolistas rodeados de siareiros da equipa contraria (por certo, o celta vai mallar no depor este sábado) mentando a súa nai e o seu baixo cociente de intelixencia. Acto seguido empezaron a marchar con psamontañas incluidos. Non sen amenazar primeiro a varios rapaces que se emocionaron cos berros e case lles destrozan os tímpanos ós picoletos. Buscaron drogas nas súas mans e puxeron pose ameazante, pero non fixeron máis. Os berros medraron... fillos da puta!!!

  Pois eso é, menuda movida, en que mundo vivimos!!! Xa non deixan nin que nos emborrachemos nin que liguemos tranquil+s. Se queren atopar drogas, ben saben a onde teñen que ir, pero tampouco será cuestión de molestar ós pijos en discotecas de non sei cantos eurazos a entrada e cos cochazos no párking.

En fin...

Apertas


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Sunday | December 11, 2005

Sister Outsider

...ou a potencialidade brutal do pensamento de Audre Lorde

Nom gosto de falar do ódio. Nom gosto de lembrar a aniquilaçom e o ódio vistos nos olhos de muitas pessoas brancas desde que tivem a faculdade de ver, tam duros que desejava morrer. E esses sentimentos tinham o seu eco nos jornais, nos filmes, nos quadros religiosos, as bandas desenhadas e os programas de rádio de Amos e Andy. Eu carecia das ferramentas necessárias para analisá-los e da linguagem precissa para nomeá-los.

A linha de metro de Harlem. Agarro-me à manga da minha nai, ela vai carregada de bolsas, o peso do Natal. Cheiro húmido das roupas invernais. O bagom pega bandas. A minha nai avista um sítio quase livre, empurra a el o meu pequeno corpo enfundado em roupa para a neve. De um lado tenho um homem que lê o jornal. Do outro lado, umha mulher com chapéu de pele que olha para mim fixamente. Os seus lábios torcem-se ao tempo que me observa, depois baixa a sua mirada, arrastando a minha. A sua mam enfundada em coiro tira da zona onde se tocam os meus pantalons azuis novos e o seu elegante abrigo de pele. Com um movimento brusco, acerca-se o abrigo ao corpo. Miro com atençom. Nom vejo essa coisa horrível que ela ve no assento, entre nós...umha cascuda, provavelmente. Mas contagiou-me o seu espanto. Pola maneira na que me mira, deduço que deve ser algo mui mau, assim que eu também tiro do meu anorak para retirá-lo de ali. Subo a mirada e vejo que a mulher continua a olhar-me fixamente, com as fossas nasais e os olhos mui dilatados. E de repente decato-me de que nom há nengum bicho arrastando-se entre nós; a quem nom quer que toque o seu abrigo é a mim. As peles roçam-me a face quando a mulher se ergue percorrida por um escalafrio (...) Reacciono como qualquer nena nascida e criada em Nova Iorque: botome a um lado para lhe fazer sítio à minha nai. Nom se pronunciou nem umha só palavra. Dá-me medo dizer-lhe qualquer coisa à minha nai porque nom sei o que fiz. Dirijo umha olhada furtiva aos costados dos meus pantalons. Teram algo raro? Está a suceder algo que nom comprendo, mas que nunca esquecerei. os seus olhos. As fossas nasais dilatadas. O ódio.

(Este fragmento forma parte da compilaçom de textos Sister Outsider, da poetisa Audre Lorde) 

 Audre Lorde (1934-1992), nai de dous filhos, feminista negra e lésbica, foi umha das vozes  radicais mais potentes da Norteamerica de finais dos 70. A clarividência das suas análises segue a ter umha vigência inqüestionável.

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Saturday | December 10, 2005

O novo projecto de Precarias a la Deriva

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Elegia das gaivotas

(À mocidade tragada polas ondas do Estreito por sonhar com o fim do tempo dos labirintos)

 

Silenciosos rostos sobre rochas,

Farrapos molhados na negrura

E um mar que se obscurece

Nas névoas,

Sacudindo-se o seu sal.

Afundem-se barcos

Angustiados polos tempos cálcicos.

Já chegou o momento no que nom houvo

Por detrás de ti, Tarif,

Nengum exército listo para conquistas

Só espumas

E barcos perdidos na obscuridade.

Enchem o estreito regatos

Do suor da terra

E Tetuam, à espera do afogado

Fia aljube de vento

E cozinha pedras aos seus filhos.

À beira do inalcançavel

Quebrou a plumagem das gaivotas

Sobre umhas rochas entristecidas

E estremeceu-se o sonho nos seus derradeiros tremores.

Silenciosos rostos sobre rochas,

Farrapos molhados na negrura

E um desolado silêncio de cidades

Um desolado silêncio de cemitérios.

                               Mohamed Maimuni

Mohamed Maimuni (Xauen, 1936) é umha das vozes mais destacáveis da poesia marroquina

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Friday | December 09, 2005

De Luther Blissett a Wu Ming

Esta revoluçom nom tem rostos:

http://www.wumingfoundation.com/italiano/bio_portugues.htm

http://www.wumingfoundation.com/italiano/portugues_direto.html

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Benvindas e beijinhos, habibis!

Este blogue forma parte do meu-nosso-vosso devir cyborg. Desta (re) invençom global da vida, dos afectos, dos prazeres, das relaçons sociais e pessoais. Parto de que a todas move-nos a mesma ilussom: o desejo de umha mudança radical, de umha outra vida, de um outro mundo.

Com algumhas de vós experimentei rebeldias passadas e presentes -Redes Negras, Mil Luas, Da Deriva, A Treu!, Maribolheras Precárias...Com outras, ademais, umha amizade infinita na distáncia; distáncia desmontada polas novas cartografias: Alfredo, que estás en San Luis potosi; Abdelhadi que estás em Marrakech; Diego, que estás em Londres; Elena, que estás en Asilah; Tére, que proximamente estarás em Acra; Pedrito, onte em Damasco, hoje em Sevilha, amanhá quem sabe. Outras sodes um recente e maravilhoso descobrimento: o enxame de Alternativas nómadas. Com outras de vós fluo nesse magma de despiporre hedonista que é a noite de High Mountain, território rebelde.

Boa parte de nós, creio que concordamos na articulaçom de um projecto emancipador (que nom é um, mas infinitos e múltiplos) que nom esteja organizado de forma autoritária, que gire ao redor de políticas próximas às necessidades individuais e colectivas sentidas e experimentadas e que, ao mesmo tempo, ofereça a esperança de transformar esta sociedade em algo novo e melhor. Evidentemente é um projecto político, ou melhor dito, contrapolítico ou pós-político, porque nom queremos saber nada desse detritus em descomposiçom que é a Modernidade, a forma-estado ou os partidos. E, por acima de todo, é um projecto vital. Vida e política nom som já separáveis, afortunadamente.

Vivemos neste presente globalizado umha transformaçom extraordinária cujos efeitos ainda nom somos capazes de imaginar. Mutamos. Mutar é conhecer, desfrutar, desenvolver-se, expandir-se, descobrir novos territórios, emprender umha viagem. Umha viagem na que nom podemos mais que conceber-nos como nómadas. Nómadas no seio da multitude ingovernável. Da Multitude desejante.

Posted by nómadas queer at 15:26:42 | Permanent Link | Comments (6) |