A reacçom que chega

foto de portada do diário El Mundo, do sábado 28 de outubro. No pé da foto (retocada, atençom aos destelhos que surgem por detrás) comparava-se a De Juana Chaos com o psicópata cannibal que protagoniza Anthony hopkins no Silêncio dos Cordeiros
Ao estilo da reacçom que a chamada Nova Direita protagonizou nos EEUU e no Reino Unido durante a década dos 80, a reacçom que chega abre-se passo na Europa. Umha das características fundamentais desta reacçom é a gestiom do medo. Imigraçom, delinqüência, terrorismo, muçulmanos, som conceitos que mutam de forma fascistoide ao hibridar-se em novas ligaçons produzidas polo discurso desta reacçom. O medo, a ameaça, o terror som instrumentos políticos necessários para poder aplicar políticas de segurança totalitárias que gerem adessons incondicionais. A produçom do medo, do terror, é absolutamente funcional a sobrevivência política de esta nova reacçom. Estejamos atentas pois.
Na apresentaçom de um seminário que terá lugar na Universidade Internacional de Andalucia (*) manifesta-se que "as causas da expansom de um novo populismo conservador que rechou com o discurso do óbvio e nom pensa 'entrar em raçom' (pois considera que está em guerra). (...) alguns dos seus rasgos constituintes seriam a ruptura agressiva de consensos instituidos (o caso revisionista), o seu carácter popular e populista, o uso extremadamente inteligente e estratégico dos novos meios de comunicaçom, a mescla -contraditória mas eficaz- de neoliberalismo e apelaçom aos valores tradicionais, etc." A reacçom intelectual que acompanha esta nova direita seria "umha corrente heterogénea e discordante mas, mais ou menos, agrupada entorno a algumhas ideias-força comuns (...) tais como o significado do 11-S; o complexo de culpa ocidental; a quintacoluna islamista que se infiltrou nos países ocidentais graças à imigraçom; a particularíssima identificaçom com a Shoah e Israel; a percepçom do Maio do 68 como fonte de todo mal; a equivalência entre subversom e terror; a decadência inevitável de umha democracia sem transcendência; ou a nencessidade de 'restaurar' um corpo social ierarquizado e bem ordenado. Esta corrente intelectual neo-conservadora está a produzir e a difundir umha série de relatos, imagens e discursos que, entre outras coisas, transformarom a percepçom de fragilidade e incertidume característica da globalizaçom em pánico social e paranoia securitária e converterom numerosos conflitos políticos, sociais e económicos em conflitos culturais, étnicos e religiosos entre essências imutáveis ('conflito de civilizaçons') (...)".